[{"content":"Desenvolvi uma abordagem que combina flexibilidade com resultados consistentes. Minha metodologia foi refinada ao longo de anos trabalhando com empresas em diferentes estágios de maturidade, desde startups early-stage até unicórnios.\nNo trabalho como consultor, não atuo com dedicação exclusiva. Esta escolha é intencional e traz dois benefícios principais para sua empresa:\nAumento de Foco: posso concentrar minhas intervenções em momentos-chave do ciclo de desenvolvimento e iniciativas de maior impacto esperado, garantindo que minha atenção esteja direcionada para decisões de maior impacto. Isso permite que eu mergulhe profundamente em problemas complexos enquanto seu time mantém o momentum do dia a dia.\nEficiência de Custos: Sua empresa economiza significativamente ao investir apenas onde meu expertise é mais valioso. Assim você obtém a liderança técnica necessária para crescer, mantendo seu orçamento sob controle. É a escolha inteligente para empresas que precisam de direcionamento técnico sênior sem o compromisso de uma contratação permanente.\nÁreas de Atuação # Meu trabalho se desenvolve em duas frentes complementares:\nFrente Estratégica # Trabalho diretamente com a liderança de negócio e produto para desenvolver ou acelerar um plano estratégico com objetivos de tecnologia e produto. Frequentemente busco identificar oportunidades onde a tecnologia pode criar atalhos ou vantagens competitivas significativas.\nFrente Tática # Junto ao time de desenvolvimento, garanto que a execução aconteça com excelência técnica, maximizando as chances de sucesso do plano estratégico. Isso pode incluir:\nImplementação ou refinamento de práticas de desenvolvimento consagradas na indústria Revisão e escrita de código Treinamento de desenvolvedores, designers e product managers Construção de indicadores, OKRs e práticas de gestão Mentoria para líderes técnicos emergentes A clareza obtida na frente estratégica informa a construção do plano tático, enquanto oportunidades e obstáculos conhecidos ou novos vividos no dia-a-dia do desenvolvimento informarm as revisões da estratégia.\nTipos de Engajamento # Ofereço três modalidades de trabalho, cada uma adequada a diferentes necessidades:\nConsultoria Ad Hoc (por hora) - Ideal para projetos exploratórios ou situações onde o escopo ainda não está bem definido.\nAcompanhamento Mensal Recorrente - Usado para mentorias contínuas, projetos mais longos, e apoio estratégico regular. O nível de dedicação depende do escopo e da dificuldade do obstáculo, mas arranjos de 4h, 10h, 16h e 20h semanais são comuns na indústria.\nProjetos com Escopo Fechado - Recomendado quando temos métricas de sucesso ou objetivos claramente definidos a serem alcançados.\nProcesso de Trabalho # Um engajamento típico segue quatro fases principais:\nDiagnóstico Inicial - Identificação detalhada dos obstáculos e oportunidades no contexto atual da empresa. Veja também Diagnóstico.\nPlano Tático - Definição de metas e entregas específicas, sempre alinhados com os objetivos do negócio.\nExecução - Implementação das iniciativas planejadas, com acompanhamento próximo e ajustes quando necessário.\nAvaliação e Refinamento - Análise dos resultados e ajustes no plano conforme necessário.\nTransferência de Conhecimento # Um aspecto fundamental do meu trabalho é garantir que sua equipe interna se torne cada vez mais capacitada. Meu objetivo é que as lideranças da empresa sejam equipadas com conhecimento e ferramentas para dar continuidade ao trabalho de forma autônoma.\nCom o tempo, dois cenários positivos podem emergir:\nMinha presença se torna gradualmente menos necessária, indicando o sucesso na capacitação do time Aumentamos o escopo de ambição e exploramos novas fronteiras de desenvolvimento conjunto Este compromisso com a autonomia do seu time é parte integral do serviço.\nRotinas e Disponibilidade # Para garantir alinhamento e progresso constante, mantenho uma estrutura regular de interações:\nReuniões Regulares # Alinhamento estratégico semanal com CEO/VP/Produto Representar a tecnologia em reuniões do time executivo Sessão tática semanal com líderes de Engenharia, Produto e Design Encontros individuais rotativos com membros-chave do time Disponibilidade para até 5 reuniões extras por mês Trabalho Assíncrono # Elaboração de documentação estratégica Análises técnicas aprofundadas Revisões de arquitetura e código Preparação de materiais de treinamento Relatórios e apresentaçóes # A cada ciclo de execução eu apresento uma análise do trabalho, na forma de documento e/ou slides. ","externalUrl":null,"permalink":"/hire/metodologia/","section":"Consultoria","summary":"Desenvolvi uma abordagem que combina flexibilidade com resultados consistentes.","title":"Consultoria","type":"page"},{"content":"Esta é uma seleção de artigos que ilustra minha maneira de pensar e desenvolver produtos de software. Você pode me seguir pelo LinkedIn se quiser o conteúdo mais recente, sempre aviso por lá quando algo muda aqui.\n","date":"2025-06-18","externalUrl":null,"permalink":"/post/","section":"Artigos","summary":"Esta é uma seleção de artigos que ilustra minha maneira de pensar e desenvolver produtos de software. Você pode me seguir pelo LinkedIn se quiser o conteúdo mais recente, sempre aviso por lá quando algo muda aqui.\n","title":"Artigos","type":"page"},{"content":"Como líder técnico, sempre estimulo meu time a fazer uma pequena pausa assim que definimos que precisamos de um pedaço de software. Antes de sair escrevendo código, é importante parar para escrever um parágrafo ou dois sobre o que você vai implementar e como essa implementação resolve o problema. Muitas vezes, o problema que temos na mão está mal definido e necessita de esclarecimentos. Algumas vezes acontece de o problema ser resolvido com outro software, muito mais simples. Pular esse passo significa, geralmente, desperdiçar energia. Como saber o que fazer não garante que será feito, vou contar como aconteceu comigo: como eu desperdicei dias no calendário por pular essa etapa.\nNo começo do ano, trabalhei em uma plataforma que usava IA para ajudar pessoas a encontrar apartamentos para morar em Portugal. Um componente crítico do sistema é um LLM que transforma texto livre em uma consulta SQL estruturada, com o tipo de imóvel, filtros de preço, localização, número de quartos, e outras características desejadas.\nSegundo apurei com o time, o sistema estava bom, os resultados fazendo sentido. Mas pra algumas consultas voltavam poucos resultados, às vezes nenhum, o que pode ser uma pista de que existem resultados relevantes que foram filtrados. Ou seja, a impressão era de que existe um problema de lembrança (ou revocação, o termo brasileiro de quem fala difícil). Como fazer para melhorar essas buscas?\n💡 Revocação (lembrança): a capacidade de um sistema de busca de trazer para o conjunto de respostas o máximo possível de resultados relevantes. Ela aumenta quando mais resultados relevantes são recuperados.\nTrouxe um pouco da minha experiência no Google Maps para a questão. Só existe um jeito confiável de evoluir em qualidade: medir a qualidade atual, descobrir as grandes oportunidades, e priorizar a pesquisa de melhorias de acordo com o tamanho das oportunidades. Normalmente não queremos fazer mudanças muito bruscas, queremos mudar só um pouquinho de cada vez. E isso significa que sempre iteramos em ciclos curtos: após mexer no código, precisamos saber o que mudou. Normalmente usa-se um conjunto de consultas representativo do universo, o que nesse estágio da startup significa mesmo todas as consultas. Muitas vezes, uma mudança pequena no algoritmo impacta apenas um subconjunto de consultas, então precisamos de um programa que roda todas as consultas com o algoritmo velho e com o novo, e compara os dois lados, escondendo o que ficou idêntico.\nO plano e o tropeço # Ou seja, meu plano de ataque era simples:\nEncontrar um conjunto de consultas com problema Diagnosticar o problema e inventar maneiras de melhorar a lembrança com pequenos ajustes Avaliar os ajustes para descobrir se a mudança traz bons resultados. Adivinha quem começou pelo #3? Olhando para trás, é fácil ver que o #3 é onde tinha mais código pra fazer, que é quase um torrão de açúcar para mim. Pequei um número de consultas que concordávamos que estavam ruins e parti para implementar a ferramenta de avalição.\nEu fiz uma ferramenta de avaliação lado-a-lado, inspirado no side-by-side que a gente usava no Google Maps, usando Streamlit. A ideia é usar uma UI e mostrar para um humano os resultados, tentando mascarar o que é o experimento e o que é o original, e usar feedback do humano para decidir qual lado ficou melhor. Você pode mostrar todos os resultados em uma lista só, e pedir para avaliar cada resultado em relação à consulta, ou mostrar duas listas e perguntar qual lado responde melhor.\nAdotar o Streamlit foi bom porque trabalhos estatísticos como esse são penosos, com esperas longas. Esperar carregar o dado, esperar .apply() em milhares de linhas. Com uma linha eu adiciono um cache que responde bem a mudanças no código. Também é fácil mostrar uma barra de progresso. Além disso, UIs de avaliação costumam ter poucos controles: um ou outro checkbox, selecionar uma linha em um data frame, etc, que ele tira de letra. E eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, viriam os gráficos e visualizações, e do Streamlit é fácil usar plotly e as outras libs fantásticas do Python.\nMas trabalhar na ferramenta para comparar duas variantes da busca logo de cara foi uma decisão ruim. Side-by-sides são ferramentas muito boas para melhorar a precisão, mas a minha missão era outra: melhorar a lembrança. Enquanto aumentar a precisão exige excluir resultados irrelevantes, aumentar a lembrança exige incluir resultados relevantes. Geralmente fica um cabo-de-guerra entre os dois objetivos e em muitos casos é meio fácil ficar preso em um máximo local em que pequenas melhorias em uma das métricas sempre pioram a outra, portanto eventualmente a ferramenta seria necessária, mas provou-se não ser a ferramenta ideal uma vez que eu tive um diagnóstico em mãos.\nO funil # Voltei ao primeiro passo: identificar as consultas com problemas e qual o problema com elas.\nConversando com o time, declaramos que qualquer busca com menos de 6 resultados indica uma falha de lembrança e consegui um conjunto de consultas. Deixei o número 6 parametrizado na barra lateral para poder analisar o comportamento em diferentes recortes. E então parti para o próximo passo: diagnosticar o que deu errado. É preciso decidir quais resultados são relevantes e teriam sido retornados se a busca estivesse nota 10 (se vamos melhorar a lembrança, o que é que está lá para lembrar?). Nossa base tinha cerca de 130 mil imóveis e 2 mil consultas, portanto é seguro dizer que alguns são relevantes para qualquer consulta e, se não foram retornados, é porque algum dos filtros o excluiu.\nEu nunca tinha parado pra pensar nisso, mas melhorar a lembrança de uma busca se parece muito com melhorar um funil de conversão. Então fiz uma pequena ferramenta para entender o funil de resultados.\nDiferente de um funil normal, em que primeiro temos um evento de clique em um anúncio, depois uns visita ao site, depois um cadastro, e finalmente o pagamento, a ordem dos filtros de uma busca é largamente independente. Isso nos obriga a usar um pouco de intuição e bom senso para ordenar artificialmente os filtros e lembrar que os números são um pouco ruídosos, como vou explicar a seguir.\nDeclarei que a Localização é o primeiro recorte, e depois aplico os filtros em uma ordem arbitrária. A imagem a seguir mostra os resultados para a busca procuro um t3 em belem por quinentos mil . Em Portugal é praxe falar do número de quartos com um T na frente, então T3 é um apartamento de 3 quartos. Obviamente que o mundo é criativo as incorporadoras criaram “T0+1” e outras expressões que vamos ignorar neste artigo.\nA tabela a seguir mostra o comportamento de uma única consulta no funil. Começamos com os filtros básicos (imóvel disponível, com preço declarado). Aplicamos o filtro de localização em Belém , depois de preço, e assim por diante.\nfunil de imóveis Na figura acima, podemos ver que a limitação de preço excluiu 64% dos apartamentos que chegaram até ali (pelo visto, morar em Belém é caro!)\nA pergunta seguinte seria como expandir o conjunto de resultados. Será que tem um monte de apartamento logo ali depois da fronteira dos 500 mil? Fiz um plot com 4 colunas pra analisar:\nimóveis filtrados pelo preço máximo Dá pra ver que até 120% de aumento trariam mais 8 resultados, um aumento significativo para os 11. Talvez esse seja o jeito certo de relaxar a restrição de preço? O novo algoritmo poderia trazer alguns resultados a mais, depois consertar no ranking pra não perder precisão.\nNessas horas, dá uma coceira pra atacar o problema e tentar resolvê-lo com talento e alguma cafeína. Dessa vez eu não caí na armadilha, já caí nela vezes suficientes. O primeiro diagnóstico raramente é o mais relevante. Será que o preço importa tanto assim mas outras consultas?\nO agregado # Eu extrapolei essa ideia de funil para o conjunto completo de consultas com baixa lembrança. Para cada uma, posso coletar o percentual de candidatos excluidos a cada passo, ou descobrir qual filtro trouxe o conjunto de candidatos para menos de 6, e tentar responder a pergunta: “qual dos filtros pode ser relaxado para aumentar a lembrança sem piorar a precisão”? O gráfico a seguir dá pista de que mexer com o tipo de imóvel seja o mais benéfico. Uma consulta pode especificar casa, apartamento, ou nenhum filtro. E a hora que eu vi isso, me deu um estalo e percebi que caí em outra armadilha de desenvolvimento que já tinha esbarrado antes.\ndistribuição do filtro excludente Lição antiga # Meus colegas cientistas de dados me ensinaram que sempre vale a pena fazer uma exploração de dados inicial para entender os objetos com que estamos lidando, encontrar outliers que atrapalham a análise, e de repente descobrir que o seu dado é um lixo e não vai te ensinar nada.\nEu, engenheiro, aprendi mal, e demorei duas semanas para encontrar um bug que um deles teria visto em horas: todas as nossas consultas restringem o tipo de imóvel para “apartamento”, não importa o que o usuário escreveu. Não é plausível que 100% das consultas pediram apartamento, e de fato tenho exemplos que explicitamente mencionam “casa” na lista. Se eu tivesse feito uma análise da distribuição dos valores de cada pedacinho da consulta, teria visto isso logo de cara. Quem aprende mal, aprende duas vezes, dizia meu avô.\nAo olhar algumas consultas com problemas e os filtros que as quebraram, encontrei bugs pequenos como requisições com “max_price == 0”, que excluem todo mundo e que já estavam sendo tratados no algoritmo original da busca, mas meu algoritmo caseiro que aplica um filtro de cada vez não pegou. Coisas assim aparecem logo olhando um punhado de histogramas e boxplots.\nO saldo # Em horas bunda-na-cadeira, a brincadeira toda durou umas 18h. Como o meu engajamento era intemitente, no entanto, duas semanas se passaram. Por um lado, a coisa mais comum do mundo, por outro lado, duas semanas em uma startup podem significar a vida ou a morte.\nConto essa história por dois motivos: primeiro, pra me ajudar a lembrar pra sempre da experiência e gravar melhor esse aprendizado. O segundo, para te ajudar a criar mecanismos para se auto-regular, como os que eu criei. Todo dia, pela manhã, eu fazia uma rápida avaliação de o quanto eu andei ontem e o quanto eu devo andar hoje. Se você nota que não está andando na direção certa, hora de repensar. E, apesar de não ter escrito o que eu ia fazer no dia 1, eu acabei escrevendo meio em paralelo. Nem sempre precisa ser um design doc formal.\nQuando esse texto estava quase pronto, Aman Khan escreveu na newsletter do Lenny que o mundo das IAs e dos LLMs só vai te trazer sucesso se você aprender a fazer boas avaliações.\nO futuro # Agora penso que vale questionar a existência do filtro, antes de tudo: será que o tipo de imóvel deveria mesmo ser um requisito rígido? Eu já morei em apartamento pequeno, médio, grande, casa com jardim, quitinete-retangular-de-copacabana. Se o preço for bom, os outros critérios de área e número de quartos estiverem dentro, mas o tipo for “errado”, eu deveria esconder dos resultados? Especialmente se houverem poucos resultados para mostrar, talvez seja melhor incluir tudo.\n","date":"2025-06-18","externalUrl":null,"permalink":"/post/dev/2025_04_casaimo/","section":"Artigos","summary":"Make it work, make it right, make it fast","title":"Busca Casaimo - Melhorando a lembrança","type":"post"},{"content":"","date":"2025-06-18","externalUrl":null,"permalink":"/tags/ci%C3%AAncia-de-dados/","section":"Tags","summary":"","title":"Ciência De Dados","type":"tags"},{"content":"","date":"2025-06-18","externalUrl":null,"permalink":"/tags/desenvolvimento/","section":"Tags","summary":"","title":"Desenvolvimento","type":"tags"},{"content":"","date":"2025-06-18","externalUrl":null,"permalink":"/tags/","section":"Tags","summary":"","title":"Tags","type":"tags"},{"content":"","date":"2025-02-05","externalUrl":null,"permalink":"/tags/produto/","section":"Tags","summary":"","title":"Produto","type":"tags"},{"content":"É verdade que o engenheiro de software é responsável por implementar a solução em um custo e prazo previsíveis, e que o papel de criar soluções e entender o mercado é de outro grupo, talvez do time de negócio, ou do gerente de produto ou de projetos. É um caminho perigoso, de separar as responsabilidades, porque a engenharia tem muitas alavancas para acelerar o desenvolvimento e a maior delas não está na fase da implementação.\nComeçamos cedo, na vida profissional, a lidar com comentários assim: \u0026ldquo;Engenheiro não sabe vender\u0026rdquo;, ou \u0026ldquo;essa especificação já foi aprovada\u0026rdquo;. Ou a clássica \u0026ldquo;essa é uma decisão da liderança\u0026rdquo;, evidenciando o óbvio, que você está fora dela. Ou mais grosseiramente, como ouvi de um colega desenvolvedor, \u0026ldquo;o nosso trabalho é implementar, não entender\u0026rdquo;. Nunca entendi bem essa posição, sempre quis entender mais a fundo a motivação para criar qualquer programa. E muitas vezes isso gerou atrito: pessoas que trabalhavam comigo ficavam cansadas de explicar o porquê das coisas. E algumas, mais acostumadas a racionalizar, abanar as mãos e ganhar discussões na carteirada, ficavam mesmo exaustas. Ao longo dos anos, fui criando mecanismos de anotação e escrita para desenroscar as soluções sem criar tanto atrito. Elas estavam certas sobre a minha baixa capacidade de vender, mas erradas sobre a necessidade de entender o cliente.\nEntre outros desenvolvedores também nem sempre me encaixei: a vida dos sonhos, para alguns, era passar o dia escrevendo código. Eu nunca me encaixei nesse grupo. Para mim o software mais lindo que faz algo inútil era igualmente inútil.\nMenos é mais # Na minha tribo, o resultado final sempre veio em primeiro lugar, e as maneiras mais inteligentes de chegar lá eram as mais atraentes. O folclore da época era que \u0026ldquo;desenvolvedor bom é preguiçoso\u0026rdquo;. Era uma brincadeira com o hábito de querer evitar trabalho manual, mesmo quando isso exige mais esforço intelectual. Prefiro gastar duas horas lendo a documentação uma hora escrevendo um script para evitar três horas de importação manual de dados. Com um tempo, criou-se uma confusão com o outro tipo de preguiça, de querer fazer o trabalho pela metade, por isso talvez seja melhor chamar de malícia. O principal benefício de investir no script é que o trabalho manual tende a aparecer de novo, e por isso o custo de criar uma solução reutilizável tende a se diluir.\nAlém disso, estudar as ferramentas com profundidade nos permite utilizá-las em todo seu potencial. Um exemplo concreto: antigamente o React-Admin tinha uma documentação fraca sobre autenticação (ver v3.19), e foi preciso insistir um pouco pra entender que um authProvider era tudo o que precisávamos na nossa implementação. Um colega que tinha feito quase um fork do framework todo acabou removendo a maior parte do seu código pra usar a abordagem nova.\nPor último, a prática de se aprofundar nos torna desenvolvedores melhores. A experiência me ensinou que se eu começo a me enroscar desenvolvendo uma solução própria, vale parar e procuar algo pronto. É muito possível que alguém tenha feito igual ou melhor do que eu faria e ainda colocado como software livre em algum lugar. A preguiça-malícia me fará encontrar e adotar uma biblioteca que pode estar sendo mantida por outras pessoas, alavancando minha capacidade de gerar valor.\nZero é melhor ainda # Tudo o que eu falei até agora envolve adicionar software, que é o que sobra de alavanca quando as decisões de produto já foram tomadas. O melhor momento de envolver a engenharia é ainda mais cedo, quando a solução está em formação, e ainda nos debruçamos muito sobre o problema. Lá existam muitas oportunidades de excluir software do plano para o sucesso, em partes ou completamente.\nUma vez, quando eu trabalhava em um sistema Java para substituir um sistema legado, coisa muito comum de se ver no mundo da fábrica de software nos anos 2000, eu vivi na pela o poder de perguntar o que o cliente quer. Enormes roadmaps eram comuns, e no meio do primeiro milestone eu recebi um pedido para implementar uma calculadora automática de imposto de renda. Ela tinha que ficar dentro de uma página de cadastro com muitas outras entradas de dados sobre a renda da pessoa. Eu comecei a achar que ninguém ia preencher aquilo, ou que o RH já deveria ter aquelas informações. Putz, eu mesmo jamais iria preencher aquilo. Entendi que era uma ação rara no produto, que seria feito uma vez por ano. Descobri também que naquele ano apareceram várias calculadoras online para as pessoas usarem. Eu sugeri despriorizar, que é um soft delete no roadmap.\nInicialmente foi negado o pedido, mas meu gerente de projetos, que era um cara safo, cutucou mais a fundo e descobriu que o sistema legado que estávamos substituindo não tinha essa funcionalidade, e ela entrou no escopo porque o SAP tem uma calculadora de imposto de renda. Sob a ótica de abandonar o sistema legado o mais rápido possível, que é o que o nosso cliente queria de nós. Mais do que isso, o cliente, após ser provocado, percebeu que o RH já tinha a maior parte dos dados que estavam sendo perguntados ali e ninguém iria usar aquela tela mesmo. Ficaram de voltar com uma integração diferente com o SAP, sem UI. Nunca aconteceu, porque projetos gigantes quase nunca terminam.\nVisualize a economia de código, de testes manuais que nunca precisaram ser feitos, de angústia com a chamada ao SAP que retorna um erro obscuro, nada disso aconteceu, porque um dev levantou a mão e o responsável pelo projeto investigou a fundo.\nEm alguns casos, o custo acontece em cascata. Por exemplo, se no seu formulário de cadastro você pergunta dados pessoais, é de se perguntar se ter essa informação realmente aumenta a capacidade de encantar o seu usuário. Guardar corretamente, num contexto de LGPD, pode encarecer bastante o sistema e arriscar a capacidade de terminar no prazo. É muito fácil deixar requisitos de valor duvidoso invadirem o escopo de uma solução, e muito difícil saber quais cortes economizam muito.\nEmbora entender as ferramentas, adotar bibliotecas e otimizar algoritmos gere ganhos palpáveis no desenvolvimento, nem se compara ao poder de entender o que o usuário quer. Você pode jogar funcionalidades inteiras fora, ou parte delas, ganhando com isso uma espécie de juros compostos de energia poupada:\ndesafogar o prazo para o primeiro lançamento nunca ter que fazer nem a v2, nem a v3 da funcionalidade. Se essa história não é familiar e seu time nunca viveu isso, pode ser o caso de experimentar, para alguns assuntos, envolver a engenharia mais cedo na discussão. Se houver oportunidade de entregar o mesmo valor com menos produto, é provável que este seja o grupo que vai descobrir. E se acontecer, a nossa responsabilidade de implementar a solução em custo e prazo previsíveis fica muito, muito mais fácil.\nBonus: assista ao vídeo do Dave Farley explicando como governo britânico desperdiçou 500 milhões de libras e não entregou nada.\n","date":"2025-02-05","externalUrl":null,"permalink":"/post/dev/2025_on_budget/","section":"Artigos","summary":"Uma noção comum mas incorreta é de que as decisões sobre o problema a resolver e a solução a adotar já foram resolvidas, e o time de desenvolvimento é apenas o executor.","title":"Software no preço e no prazo","type":"post"},{"content":"","date":"2024-11-12","externalUrl":null,"permalink":"/tags/lideran%C3%A7a/","section":"Tags","summary":"","title":"Liderança","type":"tags"},{"content":"Imagino que você está louco para adotar inteligência artificial na sua empresa, em alguma forma, então vale entender o que tem dado errado por aí antes de aplicar na sua organização.\nEm seu artigo de 2023 chamado Por que tantas transformações digitais fracassam?, os pesquisadores Samson Oludapo, Noel Carroll e Markus Helfert analisaram uma centena de artigos científicos documentando tentatidas de transformação digital.\nEu recomendo ler o artigo inteiro (ver referência no final), mas queria iluminar duas ideias importantíssimas:\nInovação é gestão; Os fracassos são mal estudados. Inovação é gestão # O estudo aponta que uma implementação cuidadosa é crucial para o sucesso da iniciativa, e que acelerar o cronograma de implementação geralmente não leva a resultados positivos.\nA verdade é que qualquer adaptação organizacional custa caro e requer uma boa dose de convencimento dos diferentes atores, desde a liderança até o time que opera o dia-a-dia. Muitos times têm dificuldade até de experimentar maneiras diferentes de trabalhar.\nAlém disso, existe uma grande mitologia em torno da transformação digital, como se fosse uma cura milagrosa para todos os problemas. Uma apresentação mal concebida é sempre ruim, pior ainda se foi o ChatGPT que escreveu em 10 minutos. Adotar uma tecnologia requer retreinar um monte de gente e, segundo o estudo, encontra alguma resistência também.\nOrganizações ambidestras, que criam estruturas explícitas para fomentar uma cultura de inovação e ao mesmo tempo buscam excelência operacional, têm mais chances de sucesso, e para mim parece intuitivo. No estudo, um dos fatores apontados é a falta de métricas de impacto para a tecnologia. Pode ser coisa simples ou sofisticada, mas tem que ter. Tem um artigo bacana do Diêgo Nogueira sobre métricas e cultura que conta um pouco do que ele desenvolveu na época em que trabalhava na Loggi.\nOs fracassos são mal compreendidos # Apesar de conseguir identificar diversos fatores de causa dos fracassos, os pesquisadores afirmam que ainda há muito espaço para análise das causas raiz das falhas nas empresas e na academia. Eles fizeram um esforço grande para tentar categorizar as falhas e oferecem perguntas para nortear pesquisas futuras.\nOrganizações tendem a minimizar o impacto das suas falhas e focar no que está funcionando. Por um lado, isso é importante para não desaminar. Por outro, varrer para o tapete as causas raiz praticamente garantem que a empresa não vai aprender nada com a experiência.\nReferências # Why do so mani digital transformations fail? A bibliometric analysis and future research agenda. https://doi.org/10.1016/j.jbusres.2024.114528 Managing digital transformation: the view from the top. https://doi.org/10.1016/j.jbusres.2022.07.020 ","date":"2024-11-12","externalUrl":null,"permalink":"/post/leadership/2024_dt_fail/","section":"Artigos","summary":"Imagino que você está louco para adotar inteligência artificial na sua empresa, em alguma forma, então vale entender o que tem dado errado por aí antes de aplicar na sua organização.\n","title":"Por que tantas transformações digitais fracassam?","type":"post"},{"content":" ","date":"2024-11-04","externalUrl":null,"permalink":"/post/leadership/20241104_bom_time/","section":"Artigos","summary":"Em um bom time, ninguém cruza os braços e todos entendem o objetivo maior.","title":"Um bom time","type":"post"},{"content":"Descubra rapidamente se o seu time pode gerar muito mais impacto com meu apoio. Em sessões que podem durar um dia ou uma semana, eu realizo um diagnóstico competitivo do seu time de Engenharia, Produto e Design, com os seguintes objetivos:\nEncontrar gargalos no sistema que atrapalham ganhar escala, seja no número de usuários, transações ou outros indicadores Encontrar processos que pioram a qualidade do software ou atrasam o desenvolvimento e podem ser melhorados Encontrar oportunidades de desenvolvimento nos líderes que aumentam as chances de sucesso no longo prazo Para quem é indicado # O diagnóstico é indicado para a empresa que tem um time de tecnologia já existente (10-100 pessoas) e se encontra em um dos cenários abaixo:\nOceano vermelho, com churn de usuários ou clientes, que sente que poderia retê-los muito melhor com um produto mais competitivo, sem deixar de conquistar novos clientes Ambição de conquistar um mercado novo (no mesmo país ou em outro), apoiada em um software já construído, mas que parece difícil de adaptar ao novo contexto Encontrou um nicho de mercado promissor e adquire novos clientes cada vez mais rápido, mas a plataforma não está aguentando a carga, e precisa escalar e estabilizar muito rapidamente Outros cenários podem aparecer, mas esses três são os indicadores mais promissores.\nEu respondo rápido # Preencha o formulário abaixo para falarmos ao vivo.\nCarregando formulário… ","date":"2024-11-03","externalUrl":null,"permalink":"/page/diagnostico/","section":"Pages","summary":"Descubra rapidamente se o seu time pode gerar muito mais impacto com meu apoio. Em sessões que podem durar um dia ou uma semana, eu realizo um diagnóstico competitivo do seu time de Engenharia, Produto e Design, com os seguintes objetivos:\n","title":"Diagnóstico","type":"page"},{"content":"","date":"2024-11-03","externalUrl":null,"permalink":"/page/","section":"Pages","summary":"","title":"Pages","type":"page"},{"content":"Trabalho com consultoria em tecnologia para empresas em crescimento acelerado. Por uma fração do custo de um líder técnico tradicional, ajudo a sua empresa a impulsionar seu desenvolvimento tecnológico rapidamente.\n","date":"2024-11-03","externalUrl":null,"permalink":"/","section":"Tiago M da Silveira","summary":"Trabalho com consultoria em tecnologia para empresas em crescimento acelerado. Por uma fração do custo de um líder técnico tradicional, ajudo a sua empresa a impulsionar seu desenvolvimento tecnológico rapidamente.\n","title":"Tiago M da Silveira","type":"page"},{"content":"Uma ferramenta visual para ideação de produtos\nA questão da diferenciação de negócio está muito em minha mente esses dias. Fiz uma pequena ferramenta pra ajudar a pensar sobre diferenciação, usando o conceito de equalizadores e graus de diferenciação.\nTLDR: use aqui.\nEu me deparei com esse conceito pela primeira vez em 2005, quando ainda era um jovem desenvolvedor morando na Alemanha. Era o blog de Kathy Sierra, Creating Passionate Users, e ela estava falando sobre ideias inovadoras. Mais precisamente, como você, eu e todos podem ter ideias inovadoras, sem necessidade de genialidade.\nA ideia é pensar sobre as dimensões essenciais de comparação entre o seu produto e a concorrência, e decidir como seu produto deve ser diferente do padrão. As expectativas padrão do usuário são o que você quer desafiar se quiser se destacar e ser notado. Leia o artigo original, vale a pena. A autora itera na construção de um equalizador, com algumas ilustrações. Lembro que alguém escreveu um em Javascript alguns dias depois, mas acabou quebrando conforme os navegadores evoluíram e se perdeu nos ventos da internet\u0026hellip; até hoje.\nEu recriei os sliders em HTML5 e Javascript, e postei aqui. Espero que seja útil para você ao pensar sobre seu produto, recurso ou ideia de negócio, para brincar nos estágios iniciais. Ficou assim:\nÉ muito rudimentar, eu sei, mas é o que eu consegui codificar em um único dia (e isso foi em 2022, antes de ter IA pra tudo). Fique por aqui para aprender como foi feito.\nImplementação # Na minha prova de conceito de simulação, experimentei o Vite e o Preact.\nVite é um ambiente de desenvolvimento local muito inteligente que aproveita o suporte a módulos ES nos navegadores para servir seu código com recompilação mínima e fornecer substituição de módulo hot. Em alguns pontos, achei mais fácil salvar o código no editor para vê-lo ser aplicado na página do que mexer com as Dev Tools.\nPreact é uma biblioteca de 3kb que funciona como React, mas não requer transpilação. Vite pode lidar com a transpilação, mas estou totalmente vendido na ideia de \u0026ldquo;apenas use o DOM\u0026rdquo;. Escrever HTML principalmente semântico faz todo o sentido para mim.\n\u0026lt;div class=\u0026#34;slider-value\u0026#34;\u0026gt; \u0026lt;input type=\u0026#34;range\u0026#34; name=\u0026#34;value\u0026#34; value={model.value} title={model.title} min=\u0026#34;-5\u0026#34; max=\u0026#34;5\u0026#34; step=\u0026#34;1\u0026#34; /\u0026gt; \u0026lt;/div\u0026gt; Outra coisa interessante sobre o Preact é o pacote Signals, que você tem que instalar separadamente, mas acho que é o santo graal das UIs reativas:\nse você ler o valor, você renderizará novamente quando ele mudar se você escrever no valor, você acionará novas renderizações. Cada slider é apoiado por um Model que envolve um sinal, e a lista é outro sinal. Quando a lista muda, renderizamos novamente. Quando um modelo muda, renderizamos novamente. Aqui está uma parte do modelo, que é alimentado para o DOM que você viu acima para o slider.\nclass SliderModel { _state constructor({ title = \u0026#39;\u0026#39;, description = \u0026#39;\u0026#39;, value = 0 } = {}) { this._state = signal({ title, description, value }) } _setState(override) { this._state.value = { ...this._state.value, ...override } } get title() { return this._state.value.title } set title(val) { this._setState({ title: val }) } } E em vez de encadear mudanças com useState(), posso simplesmente declarar o estado computado. Veja como as áreas de texto na seção de explicação atualizam seus placeholders conforme você altera o título do modelo:\nconst title = useComputed(() =\u0026gt; model.title || \u0026#39;Untitled\u0026#39;) const placeholder = useComputed(() =\u0026gt; `explanation for ${title}`) Espero que isso seja útil para você! Você pode conferir o código-fonte no github. Me diga o que você acha.\n","date":"2022-12-23","externalUrl":null,"permalink":"/post/dev/sliders/","section":"Artigos","summary":"Uma ferramenta visual para ideação de produtos\nA questão da diferenciação de negócio está muito em minha mente esses dias. Fiz uma pequena ferramenta pra ajudar a pensar sobre diferenciação, usando o conceito de equalizadores e graus de diferenciação.\n","title":"Equalizador de produto","type":"post"},{"content":"","externalUrl":null,"permalink":"/categories/","section":"Categories","summary":"","title":"Categories","type":"categories"},{"content":"Se a ambição tecnológica da sua empresa é grande, eu posso ajudar.\nSow engenheiro de software, consultor técnico e mentor com longa experiência em liderança tecnológica. Especializado em algoritmos e arquitetura de software, adoção de novas tecnologias e resolução de desafios de escala. Com passagens por empresas como Google, Loggi e startups em diversos setores, combino expertise técnica profunda com habilidades de liderança e visão estratégica.\nMinha abordagem inclui a formação de equipes de alta performance e a integração eficaz entre engenharia, design e produto.\nPretendo aplicar meus conhecimentos em iniciativas regenerativa do planeta, incluindo energia limpa, economia circular, uso do solo e análise de dados até marketplaces e novos produtos.\n","externalUrl":null,"permalink":"/hire/","section":"Consultoria","summary":"Se a ambição tecnológica da sua empresa é grande, eu posso ajudar.\nSow engenheiro de software, consultor técnico e mentor com longa experiência em liderança tecnológica. Especializado em algoritmos e arquitetura de software, adoção de novas tecnologias e resolução de desafios de escala. Com passagens por empresas como Google, Loggi e startups em diversos setores, combino expertise técnica profunda com habilidades de liderança e visão estratégica.\n","title":"Consultoria","type":"page"},{"content":" Erros e manipulações em retórica e pensamento lógico O original (em inglês) está em http://www.informationisbeautiful.net/2012/rhetological-fallacies/ . Apelo à mente Apelo a uma autoridade anônima Referir-se a evidências de uma fonte anônima ou \"especialistas\", ou um grupo genérico (\"cientistas internacionais\") para afirmar que algo é verdadeiro. Dizem que o corpo humano leva sete anos para digerir chiclete.\nApelo à autoridade Afirmar que algo é verdade porque algum especialista, qualificado ou não, afirma que é verdade. O dinheiro é sujo. Arnaldo Jabor que falou.\nApelo à prática comum Afirmar que algo é verdade por ser prática comum. Todo político é ladrão, esse também rouba com certeza.\nApelo à ignorância Afirmar que algo é verdade por não ter sido provado falso. Ninguém me provou que não existe Deus, portanto Deus existe.\nApelo à incredulidade Afirmar que algo deve ser falso porque parece impossível. O olho humano é de uma complexidade incrível. Como ele poderia existir sem um projetista inteligente?\nApelo ao dinheiro Afirmar que o preço ou o valor de algo ou alguém afeta a veracidade de algo. Se custa tanto mais, deve ser melhor.\nApelo à novidade Afirmar que algo é melhor por ser novidade. A próxima versão desse sistema vai deixar meu computador rápido e potente.\nApelo à popularidade Afirmar que algo é verdadeiro porque a maioria das pessoas acredita que é. Leite faz bem para os ossos.\nApelo à probabilidade Afirmar que, porque algo poderia acontecer, vai necessariamente acontecer. Existem bilhões de galáxias com bilhões de estrelas no universo, então deve haver vida inteligente.\nApelo à tradição Afirmar que algo é verdadeiro porque (aparentemente) sempre foi assim. Casamento sempre foi união entre homem e mulher, portanto casamento gay é errado.\nApelo à emoção Apelo às consequências inaceitáveis Afirmar que algo é falso porque implica em uma situação em que não se pode acreditar. Essa foto é uma montagem, o senador não é o tipo de pessoa que mente para a imprensa.\nApelo ao medo Argumentar um ponto de vista promovendo o medo do ponto de vista oposto. Vai acabar tendo mais mesquitas do que igrejas.\nApelo à vaidade Usar uma bajulação irrelevante para introduzir uma afirmação infundada, que é aceita junto com o elogio. Leitores inteligentes certamente irão reconhecer uma falácia dessas quando a vêem.\nApelo à natureza Utilizar uma comparação com o mundo natural para fazer uma afirmação parecer verdadeira. Claro que o homossexualismo não é natural, não se vê animais do mesmo sexo copulando.\nApelo à pena Tentativa de induzir pena para convencer o oponente. O ditador é um homem velho e fraco. É errado submetê-lo a julgamento por essas acusações infundadas.\nApelo ao ridículo Apresentar o argumento do oponente de forma que ele pareça absurdo. Eles querem que eu acredite que prender vagabundo não resolve a violẽncia!\nApelo ao desdém Desmerecer uma afirmação apelando a um desgosto pessoal pelo propositor. Não é horrível quando atores de Hollywood vão à TV defender suas idéias malucas?\nApelo à esperança Sugerir que algo é verdade (ou mentira) porque se deseja fortemente que seja. O presidente não mentiria. Ele é nosso líder e cidadão de bem!\nDedução errônea Evidência anedótica Descartar ou diminuir evidência encontrada por pesquisa sistemática com base em algumas estórias de primeira ou segunda mão. Vou continuar fumando. Meu avô sempre fumou e viveu até os 90 anos!\nComposição Assumir que características de um indivíduo ou um subgrupo são compartilhadas por todos num grupo. Todos os terroristas são muçulmanos.\nDecomposição Assumir que uma característica típica de um grupo necessariamente se aplica a todos os seus membros. Muitos conservadores querem banir o casamento gay. COnservadores são homofóbicos.\nFalácia da beleza Dizer que porque algo é bem desenhado ou visualmente bonito, então é verdadeiro. Falácia do jogador Afirmar que o histórico dos eventos afeta os próximos eventos. Esta roleta já deu vermelho quatro vezes seguidas, está na hora de dar preto.\nGeneralização apressada Concluir uma regra geral a partir de uma amostra pequena. Uma mulher hoje me fechou no trânsito. Mulheres não sabem dirigir.\nSaltar para a conclusão Tirar conclusões rapidamente sem considerar evidência relevante (e muitas vezes amplamente disponível). Ela quer que o plano de saúde pague sua pílula. Que piranha!\nMeio-termo Afirmar, a partir de duas afirmações opostas com mérito, que a resposta deve estar no meio do caminho entre as duas. Eu sei que eu bati atrás, mas também foi culpa sua que me fechou. Uma solução justa seria dividirmos o prejuízo.\nPerfeccionismo Afirmar que, se não há uma resposta perfeita, não há nenhuma resposta. Não faz sentido essa campanha. Sempre vai ter alguém que vai dirigir depois de beber, não importa o que a gente faça.\nRelativismo Afirmar que uma idéia só vale em um contexto específico. Isso pode ser verdade na Europa, mas nunca vai ser verdade no Brasil.\nHolofotes Assumir que o que aparece na imprensa é tudo o que existe. Mais uma fábrica de tênis usando trabalho análogo ao escravo! Essas fábricas de tênis são todas do mal!\nGeneralização ampla Aplicar uma regra geral incorretamente a um caso particular. Só quem é rico entra em faculdade federal, você nunca vai passar porque você estudou em escola pública\nEu não vou ser preso porque eu não sou petista.\nTermo médio não distribuído Tomar um exemplar de duas afirmações supostas verdadeiras para concluir que as duas afirmações se referem ao mesmo grupo. Estudantes carregam mochilas. Meu avô carrega mochilas, então ele é um estudante.\nTodos os invasores são baleados. Se alguém foi baleado, essa pessoa era um invasor.\nManipulação de conteúdo Resgate ad hoc Arrumar desculpas de ocasião para tentar salvar uma crença já demonstrada falsa. Mas além de saneamento, medicina, educação, irrigação, saúde pública, estradas, água fresca e ordem pública, o que afinal fizeram os Romanos por nós?\nGeneralização tendenciosa Generalizar uma afirmação a partir de um conjunto não representativo. Uma pesquisa de opinião no nosso website mostrou que 90% dos internautas...\nViés de confirmação Considerar evidências a favor de uma crença e desconsiderar evidências contra. O 11 de setembro foi uma conspiração do governo americano para justificar a guerra no Iraque e Afeganistão. Nenhum avião atingiu o pentágono, as torres caíram por uma demolição controlada, etc.\nFalso dilema Apresentar duas visões opostas como as únicas alternativas possíveis. Se não cortarmos o orçamento para educação não teremos como pagar a dívida\nEstá com pena de prender menor infrator, leva pra casa!\nMentira Dizer uma coisa sabendo que ela não é verdadeira. Eu não tive relações com aquela mulher.\nFalácia anedótica Descrever uma anedota em detalhes o suficiente para permitir uma genralização apressada. Eu não vou dar video-game para o meu filho. Uma vez, dois adolescentes que jogavam jogos violentos de video-game invadiram a escola e atiraram em um monte de crianças e professores.\nDistração Introduzir uma discussão irrelevante com o objetivo de atrapalhar a conclusão. O Senador não precisava explicar irregularidades em suas contas. Afinal, há senadores que fizeram coisas muito piores.\nA greve foi considerada legal, mas é injusta! O empresário já paga impostos demais.\nDeclive escorregadio Afirmar que uma proposição necessariamente terá consequências cada vez mais inaceitáveis. Se aceitarmos o homossexualismo, logo logo aceitaremos o incesto e a pedofilia também.\nOmissão de evidência Não utilizar informação relevante e significativa que contraria sua própria conclusão. O regime iraquiano possui e produz armas de destruição em massa, e está tentando fabricar armas nucleares.\nAqui diz 0% de gordura trans na porção, o que quer dizer que não tem gordura trans nesse produto.\nIrrefutabilidade Fazer uma afirmação que não pode ser testada e portanto não pode ser provada falsa. Ele mentiu porque está possuído por demônios.\nConfusão de causa e efeito Afirmação do consequente Assumir que só pode haver uma causa para uma observação dada. Quando estou nos Estados Unidos, é possível ver a Ursa Maior. Como vejo a Ursa Maior, devo estar nos Estados Unidos.\nLógica circular (petitio principii) Uma conclusão derivada, direta ou indiretamente, da própria conclusão. Os animais não têm direitos porque não são contemplados na legislação.\nHomossexuais farão de tudo para esconder sua posição com medo de serem demitidos, portanto ficarão sujeitos a chantagens, por isso devemos demitir todos os homossexuais.\nEfeito conjunto (cum hoc ergo propter hoc) Afirmar que duas coisas que acontecem simultaneamente são causa uma da outra. Podemos ver como o aumento da temperatura global coincide com a dimiuição do número de piratas no mundo. Logo, os piratas mantinham a temperatura estável.\nNegação do antecedente Afirmar que uma condição suficiente é também necessária, ou seja, que por que uma causa não está presente, seu efeito também não estará. Se Luísa estudar muito, entrará na Universidade. Mas se ela não estudar muito, ela não entrará na Universidade\nSe você não aprender inglês, não vai conseguir um bom emprego.\nIgnorar causa comum Afirmar que A causa B, quando provavelmente ambos têm uma causa comum, intencionalmente evitada. Os adolescentes que atiraram em crianças na própria escola jogavam jogos violentos de vídeo-game. Jogos de vídeo-game violentos geram adolescentes violentos.\nCoincidência (post hoc ergo propter hoc) Afirmar que um fato que antecede outro foi a causa deste. Ele disse \"Rá\", e a colher apareceu torta.\nDesde o início deste governo tivemos muitas denúncias de corrupção. Este governo é muito corrupto.\nDois erros fazem um acerto Afirmar que dois males, ou duas injustiças, se cancelam ou se legitimam. As prisões são cruéis e desumanas. Mas essas pessoas são criminosas!\nA polícia agrediu os manifestantes, mas eles estavam invadindo o palácio\nAo ataque Ad hominem Ataque ao caráter da pessoa que fala, desconsiderando o argumento completamente. Não vou dar ouvidos ao que um fantoche das grandes empresas diz.\nVocê só quer a diminuição dos impostos porque é empresário.\nÔnus da prova Lançar o ônus da prova sobre o adversário, argumentando que o próprio ponto de vista não requer embasamento. Eu afirmo que os ciclos solares de longo prazo são a causa do aquecimento global e você ainda não provou que eu estou errado.\nAd hominem circunstancial Afirmar que um argumento não é verdadeiro somente por causa da situação ou interesses do enunciador. Você só é a favor da lei do silêncio porque tem filhos pequenos.\nEste estudo sobre riscos à saúde provocados por celulares foi financiado por empresas de telefonia, não pode ser confiável.\nFalácia genética Afirmar que a origem ou a causa de uma afirmação torna-a imediatamente válida (ou inválida). Um artigo em uma publicação local não poderia desmentir um artigo da Nature.\nA imprensa golpista não vai ser isenta quando falar do governo.\nCulpado por associação Desacreditar uma idéia ou afirmação ao associá-la a uma pessoa ou um grupo indesejável. Você é contra as escutas telefônicas assim como terroristas são contra. Você está defendendo terroristas?\nOs nazistas também promoviam uma rotina de exercícios diários. Você está defendendo o nazismo?\nFalácia do espantalho Criar uma caricatura ou simplificação exagerada de um argumento e argumentar contra ela em vez do argumento em si. Pessoas a favor do aborto acham correto matar criancinhas inocentes que nem nome têm.\nOs exemplos em português são traduções do original, colecionados na Internet pelo autor ou retirados do maravilhoso Guia de falácias lógicas de Stephen Downes . Se você tem críticas ou sugestões de como melhorar a tradução ou o layout, conte para mim. ","externalUrl":null,"permalink":"/fallacies/","section":"Pages","summary":" Erros e manipulações em retórica e pensamento lógico O original (em inglês) está em http://www.informationisbeautiful.net/2012/rhetological-fallacies/ . Apelo à mente Apelo a uma autoridade anônima Referir-se a evidências de uma fonte anônima ou \"especialistas\", ou um grupo genérico (\"cientistas internacionais\") para afirmar que algo é verdadeiro. Dizem que o corpo humano leva sete anos para digerir chiclete.\n","title":"Falácias retóricas-lógicas","type":"page"},{"content":"Tenho particular interesse em circularidade e cadeias de suprimentos e logística circular, além de energia verde e descarbonização.\nPossuo uma longa experiência em desenvolvimento web full-stack e sistemas distribuídos, atuando desde a base de dados, passando pelo backend até código client-side, incluindo jobs em lote agendados, sincronização cliente-servidor e sistemas baseados em filas. Aprendi a incorporar melhorias e degradação progressivas no produto para acomodar diferentes dispositivos e experiências de usuário em contextos de baixa conectividade. Adoro conversar sobre interação do usuário, processos de aprendizagem humana, concepção de produto e modelagem de interação do usuário. Acredito que você não precisa ser uma gigante de tech para ter um produto rápido, limpo e muito útil.\nTenho conhecimento profundo em algoritmos, princípios de codificação e design de software, estruturação de APIs e modelos de dados baseados em eventos. Possuo conhecimento intermediário em ciência de dados, construção de pipelines de dados e como integrá-los com sistemas voltados para o usuário. Trabalhei com sistemas legados e sempre me surpreendo como uma arquitetura bem projetada resiste a múltiplas evoluções do produto.\nTenho experiência em desenvolver times de alta performance através de coaching e mentoria. Já escalei equipes duas vezes com sucesso, focando em três pilares: construção de cultura forte, trabalho hands-on junto ao time (desde codificação até arquitetura), e contratações estratégicas que priorizam tanto competência técnica quanto alinhamento cultural. Como líder, busco equilibrar inspiração com resultados concretos, sempre mantendo uma postura de aprendizado contínuo.\nRecentemente, retomei o interesse em como a inteligência artificial, em particular os LLMs, pode aumentar a produtividade da equipe e transformar muitas horas de trabalho em minutos, e como isso pode talvez ser aplicado para resolver problemas climáticos que atualmente são muito difíceis de entender em profundidade.\nNo meu perfil no LinkedIn eu conto a história de cada empresa por que passei com maior riqueza de detalhes. Veja uma seleção de artigos que escrevi.\n","externalUrl":null,"permalink":"/page/about/","section":"Pages","summary":"Tenho particular interesse em circularidade e cadeias de suprimentos e logística circular, além de energia verde e descarbonização.\nPossuo uma longa experiência em desenvolvimento web full-stack e sistemas distribuídos, atuando desde a base de dados, passando pelo backend até código client-side, incluindo jobs em lote agendados, sincronização cliente-servidor e sistemas baseados em filas. Aprendi a incorporar melhorias e degradação progressivas no produto para acomodar diferentes dispositivos e experiências de usuário em contextos de baixa conectividade. Adoro conversar sobre interação do usuário, processos de aprendizagem humana, concepção de produto e modelagem de interação do usuário. 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